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ABNT NBR 15610

LSE — Legendagem para Surdos e Ensurdecidos conforme ABNT NBR 15610

Legendagem completa que vai além da fala: identifica falantes, descreve sons ambientes, efeitos sonoros e música, garantindo experiência integral para pessoas surdas e ensurdecidas.

O que é LSE

A LSE (Legendagem para Surdos e Ensurdecidos) é uma modalidade de legendagem que, além da fala, identifica os falantes, descreve sons ambientes, efeitos sonoros e música, seguindo a norma ABNT NBR 15610.

A diferença crucial entre a LSE e uma legenda comum está na quantidade e no tipo de informação transmitida. Enquanto a legenda comum reproduz apenas os diálogos, a LSE oferece uma experiência sonora completa em formato textual. Pessoas surdas e ensurdecidas não têm acesso à trilha sonora do conteúdo — não ouvem a música que cria tensão em uma cena de suspense, não percebem o som de passos se aproximando antes de uma surpresa, não identificam qual personagem está falando quando a cena está escura ou fora de foco.

A LSE preenche essas lacunas informativas. Ela utiliza recursos visuais como cores diferentes para cada personagem, indicações textuais entre colchetes para sons ambientes ([porta batendo], [telefone tocando]) e descrições de música ([música tensa], [trilha romântica]). Dessa forma, o espectador surdo tem acesso a todas as camadas de informação que compõem a experiência audiovisual, não apenas aos diálogos.

No Brasil, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas tenham algum grau de deficiência auditiva, incluindo surdez total, surdez parcial e pessoas ensurdecidas (que perderam a audição ao longo da vida). A LSE é um recurso essencial para garantir que esse público tenha acesso igualitário à cultura, educação e entretenimento audiovisual.

Elementos que compõem a LSE

Identificação de falantes

Cores diferentes para cada personagem ou indicação textual entre colchetes ([MARIA], [NARRADOR]) para identificar quem está falando.

Sons ambientes

Descrição de sons relevantes para a narrativa: [porta batendo], [passos se aproximando], [telefone tocando].

Indicação de música

Descrição da presença e função emocional da música: [música tensa], [trilha romântica], [silêncio repentino].

Sincronização precisa

Tempo de exibição adequado para leitura confortável, respeitando os limites de velocidade estabelecidos pela norma.

Quando a LSE é obrigatória por lei

A obrigatoriedade da LSE está fundamentada em diversas legislações brasileiras que garantem o direito de acesso à informação e comunicação para pessoas com deficiência auditiva.

  • ABNT NBR 15610 — Norma técnica específica que estabelece os critérios para legendagem para surdos e ensurdecidos, definindo formatação, identificação de falantes e descrição de sons.
  • Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) — Estabelece que serviços de comunicação audiovisual devem garantir recursos de acessibilidade, incluindo legendagem.
  • Instrução Normativa ANCINE 128/2016 — Exige recursos de acessibilidade em obras audiovisuais financiadas com recursos públicos ou que busquem o CPB.
  • Lei Paulo Gustavo e Lei Rouanet — Projetos culturais financiados por essas leis frequentemente exigem LSE como requisito de acessibilidade.

Como a EVO executa a LSE

Nosso processo de produção de LSE segue as diretrizes da ABNT NBR 15610 e inclui revisão por profissional surdo para garantir adequação ao público-alvo.

1

Recebimento e análise

Recebemos o material e analisamos complexidade de diálogos, número de personagens e elementos sonoros relevantes.

2

Transcrição completa

Transcrevemos todas as falas e identificamos cada falante, incluindo vozes em off e narradores.

3

Análise da trilha sonora

Mapeamos sons ambientes, efeitos sonoros e músicas que precisam ser descritos para compreensão da narrativa.

4

Sincronização precisa

Ajustamos os tempos de entrada e saída de cada legenda respeitando velocidade de leitura adequada.

5

Formatação conforme padrão

Aplicamos cores para identificação de falantes, colchetes para descrições e formatação conforme ABNT NBR 15610.

6

Revisão por profissional surdo

Consultor surdo revisa o material garantindo clareza e adequação para o público-alvo.

Prazos típicos de produção

Prazos de produção de LSE por tipo de conteúdo
Tipo de conteúdoPrazo estimado
Curta-metragem (até 20 minutos)3 a 5 dias úteis
Longa-metragem (até 120 minutos)7 a 12 dias úteis
Episódio de série (até 50 minutos)4 a 7 dias úteis
Vídeo institucional (até 10 minutos)2 a 4 dias úteis

* Os prazos podem variar conforme a complexidade do conteúdo e o número de personagens. Projetos urgentes podem ser negociados.

Formatos de entrega

Entregamos a LSE nos formatos mais adequados para cada plataforma, garantindo compatibilidade e preservação das formatações de cores e identificação de falantes.

  • SRT com formatação LSE (cores e identificações)
  • VTT (WebVTT) com estilização
  • TTML para plataformas de streaming
  • Arquivo de legenda queimada no vídeo (burned-in)

Perguntas frequentes sobre LSE

Qual a diferença entre LSE e legenda comum?

A diferença fundamental está no conteúdo informativo de cada modalidade. A legenda comum (ou legenda interlingual) reproduz apenas a fala dos personagens, sendo destinada principalmente a espectadores que ouvem o áudio original mas não compreendem o idioma. Já a LSE (Legendagem para Surdos e Ensurdecidos) vai muito além: ela identifica quem está falando através de cores diferentes ou indicação textual entre colchetes, descreve sons ambientes relevantes para a trama (como [porta batendo], [telefone tocando] ou [passos se aproximando]), indica efeitos sonoros importantes e sinaliza a presença de música, inclusive descrevendo o tipo ou emoção que ela transmite (como [música tensa] ou [música romântica tocando]). Essa riqueza de informação sonora é essencial para que pessoas surdas e ensurdecidas tenham uma experiência completa do conteúdo audiovisual, compreendendo não apenas o que é dito, mas todo o contexto sonoro que contribui para a narrativa.

LSE é obrigatória em quais contextos?

A obrigatoriedade da LSE está estabelecida em diversas normativas brasileiras. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) determina que serviços de comunicação e informação devem ser acessíveis a pessoas com deficiência, incluindo recursos de legendagem. A Instrução Normativa 128/2016 da ANCINE exige que obras audiovisuais brasileiras financiadas com recursos públicos ou que busquem o Certificado de Produto Brasileiro incluam recursos de acessibilidade, sendo a LSE uma das opções aceitas para atender espectadores surdos e ensurdecidos. Editais da Lei Paulo Gustavo (LC 195/2022) e da Lei Rouanet (Lei 8.313/1991) frequentemente incluem a LSE entre os requisitos de acessibilidade. Além disso, plataformas de streaming e emissoras de TV estão ampliando a oferta de conteúdo com LSE para atender a demandas regulatórias e de mercado. A norma técnica de referência para a LSE no Brasil é a ABNT NBR 15610, que estabelece os critérios de formatação, identificação de falantes e descrição de sons.

Como vocês identificam os falantes na legenda?

A identificação de falantes na LSE segue as convenções estabelecidas pela norma ABNT NBR 15610 e as melhores práticas do mercado. O método mais comum é a utilização de cores diferentes para cada personagem principal — por exemplo, o protagonista pode ter suas falas em amarelo, enquanto o antagonista aparece em ciano. Quando há muitos personagens ou quando a diferenciação por cor não é suficiente, utilizamos a indicação textual entre colchetes antes da fala, como [MARIA] ou [NARRADOR]. Para vozes em off, chamadas telefônicas ou diálogos fora de quadro, indicamos a situação: [ao telefone], [voz em off], [pensamento]. O posicionamento da legenda também pode auxiliar na identificação — legendas à esquerda ou à direita da tela podem indicar de qual lado do enquadramento o personagem está. Todas essas decisões são tomadas na fase de planejamento da LSE, considerando a complexidade do conteúdo e o número de personagens envolvidos.

Descrevem quais tipos de sons ambientes?

Na LSE, descrevemos sons ambientes que têm relevância narrativa ou contextual para a compreensão da cena. Isso inclui: sons que antecipam ou explicam ações (como [passos se aproximando] antes de um personagem entrar em cena), sons que criam atmosfera ou tensão ([trovões], [vento uivando], [sirenes ao longe]), efeitos sonoros com função dramática ([tiro], [explosão], [vidro quebrando]), indicações de música e sua função emocional ([música tensa começa], [música alegre], [silêncio repentino]), e sons de comunicação ([telefone tocando], [campainha], [notificação de celular]). Não descrevemos todos os sons que aparecem na trilha — apenas aqueles que contribuem para a narrativa ou que um espectador ouvinte naturalmente perceberia como significativos. A seleção é feita pelo profissional de LSE durante a análise do conteúdo, sempre priorizando a fluidez da leitura e a compreensão da trama pelo espectador surdo.

LSE funciona bem em conteúdo com muito diálogo simultâneo?

Conteúdos com diálogos simultâneos ou sobrepostos representam um desafio técnico para qualquer modalidade de legendagem, incluindo a LSE. A norma ABNT NBR 15610 estabelece limites de caracteres por linha e velocidade de leitura para garantir a compreensão do espectador. Quando há falas simultâneas, o profissional de LSE precisa tomar decisões editoriais: priorizar a fala mais relevante para a trama, condensar informações sem perder o sentido essencial, ou utilizar recursos visuais como posicionamento diferenciado na tela. Em cenas muito densas, pode ser necessário simplificar algumas indicações de sons ambientes para dar prioridade aos diálogos. A experiência do profissional é fundamental para fazer essas escolhas de forma que o espectador surdo tenha a melhor compreensão possível do conteúdo, mesmo em momentos de alta complexidade sonora. A EVO trabalha com profissionais experientes em LSE que dominam essas técnicas de adaptação.

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